Ronaldo Brito

objetodireto

edições

Objeto Direto é o título de uma série em aberto de trabalhos de arte contemporâneos, com a autoria de vários artistas, que assumem as mais diversas formas. Em comum, têm apenas o fato de serem, por assim dizer, portáteis. À mostra em um balcão, numa loja à beira da rua, pretendem estar mais próximos às circunstâncias e à disponibilidade do passante comum. Por isto, são diretos, livres dos fatores inibitórios habituais: o recinto fechado das galerias, a pompa dos museus etc.

O adjetivo direto adquire assim um valor de conceito, anuncia certo modo de produção e difusão da obra de arte: o galerista produz diretamente o trabalho do artista e de pronto o entrega ao público. E o próprio nome objeto não é de todo inocente: ele implica a superação das categorias tradicionais das belas artes - a pintura, o desenho, a escultura - para reafirmar, em escala corrente a liberdade e a mobilidade características da arte moderna. Dispensando a moldura dos gêneros convencionais, de certa maneira tais objetos são só o que são, isto é, pensando bem, exatamente o oposto à "qualquer coisa". E, em sendo assim, dispensam também a distinção hierárquica entre original e réplica: valem o efeito estético que produzem. 

Em meio à multidão, o passante é alguém sózinho com os seus pensamentos. Sózinho desfruta, enfrenta o mal percebe a cidade ao redor. Num mundo perfeito, imagino, Objeto Direto constituiriam espécie em proliferação - multiplicam as chances para o raro encontro entre o desejo de um passante e alguma coisa singular que capta o seu olhar, prende a sua atenção, enfim lhe promete a graça do prazer estético. No nosso mundo, mais do que imperfeito, permanecem ainda oportunidades aleatórias mas, nem por isso, irreais. À luz do dia, oferece pequenos espécimes de arte contemporânea que fazem o que toda verdadeira arte sempre fez - justificam espontaneamente a vida.